Economia Nacional

Petrobras reajusta querosene de aviação em 18% com parcelamento em até 6x

Fonte: Agência Brasil | Publicado em 01/05/2026

Petrobras reajusta querosene de aviação em 18% com parcelamento em até 6x
Análise Técnica: O reajuste de 18% no preço do querosene de aviação (QAV) pressiona as margens operacionais das companhias aéreas brasileiras. Embora a medida de parcelamento em até 6 vezes (a partir de julho de 2026) suavize o impacto imediato no fluxo de caixa, a recomposição de custos torna o repasse tarifário para as passagens aéreas bastante provável no segundo semestre. O investidor deve monitorar o impacto dessas variáveis nos balanços corporativos e o suporte governamental via BNDES.

A Petrobras aplicou um reajuste de 18% no preço do querosene de aviação (QAV), combustível essencial para o setor aéreo.

O aumento equivale a aproximadamente mais R$ 1,00 por litro em relação ao mês anterior, elevando a pressão sobre os custos das companhias aéreas e, por consequência, sobre o valor das passagens para o consumidor final.

O combustível representa atualmente cerca de 45% dos custos operacionais das empresas do setor no Brasil. Diante desse peso estrutural, especialistas e associações do setor projetam que a alta será repassada gradualmente aos passageiros, com possíveis reajustes tarifários ainda no segundo semestre de 2026.

Impacto mitigado pelo parcelamento

Para evitar um impacto financeiro imediato e concentrado nas distribuidoras e nas aéreas, a Petrobras autorizou que o reajuste seja parcelado em até seis vezes.

A primeira parcela começará a ser cobrada em julho de 2026. A medida tem como objetivo principal suavizar o efeito caixa sobre as empresas, especialmente as de menor porte, e evitar uma ruptura na oferta de voos.

“O movimento de alta no Brasil é explicado pelo cenário internacional. Tensões geopolíticas afetaram diretamente a navegação no Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial”, afirmam analistas.

Como resultado desse cenário, o preço do barril do tipo Brent saltou de aproximadamente US$ 70 para quase US$ 120 no mercado internacional. Apesar da forte elevação externa, a Petrobras afirma que o reajuste praticado no Brasil foi menor do que a alta registrada lá fora. A estatal segue uma fórmula de formação de preço do QAV utilizada há mais de 20 anos, que considera custos de produção, logística e referências internacionais, mas com defasagens históricas em relação ao mercado spot.

Medidas governamentais de contenção

Em resposta ao cenário desafiador, o governo federal adotou um conjunto de medidas para conter os efeitos da alta sobre o setor aéreo.

Entre as iniciativas, destaca-se a zeração das alíquotas de PIS e Cofins sobre o QAV, válida até 31 de maio de 2026. Além disso, foi anunciado o adiamento de tarifas de navegação aérea e a liberação de uma linha de crédito de R$ 9 bilhões por meio do BNDES, voltada a empresas aéreas e distribuidoras de combustível.

Do ponto de vista da estrutura de mercado, a Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção de querosene de aviação no Brasil. Embora o mercado seja legalmente aberto à concorrência, com possibilidade de importação e produção por outras empresas, a participação de agentes privados ainda é limitada, o que confere à estatal papel central na definição dos preços praticados internamente.

Perspectivas para o consumidor

Com o reajuste escalonado e as medidas governamentais em vigor, o setor aéreo tenta evitar um repasse integral e imediato dos custos ao consumidor.

No entanto, a recomposição dos preços do combustível ao longo dos próximos meses torna cada vez mais provável a alta das passagens aéreas ainda em 2026. Para acompanhar a evolução desse impacto sobre os preços e o calendário de parcelamento do reajuste, recomenda-se ao leitor monitorar os comunicados oficiais da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e das associações do setor aéreo nos próximos meses.